Fever Ray

When I Grow Up

2009

E,
Enquanto ardes,
E a tua mão não alcança aquilo que deseja,
Consumir-se-á tudo, Mulher.

Velas, sem Deus,
nem autos de fé,
devoção,
sem confissão,
sem redenção,
sem compensação,
egoísta.

Dos teus lábios,
Emoção,
Arrepio,
Calafrio.

Suspiro. Rebobino. Acabo.
Mas recomeça.

E,
Enquanto dormes,
E a tua mão não alcança aquilo que deseja,
Consumir-se-á tudo, Sonho.

Do rascunho, esquisso,
Do sabor das minhas insónias.
Ilusão, desilusão,
Do sabor das minhas incertezas.
Apontamento, desapontamento,
Do sabor das minhas lágrimas.

E suspiro. E rebobino. E acabo.
Mas recomeça, como sempre recomeça.
Chega? Já chega? Não será que já chega?
Merda!

E tu serás o quê?
Ferida auto-infligida,
Besta,
Pecado,
Orgasmo,
Suspiro,
Feitiço,
Trago de sabor amargo?
Tu apenas queres ser perturbação.

E,
Enquanto ardes,
E a tua mão finalmente alcança aquilo que deseja,
Consumir-se-á tudo, Caos.

E as lágrimas teimam em nada ser.

Massive Attack

Protection

1994

par220664

Copyright:
Ferdinando Scianna / Magnum Photos

Intervalo.

Para ti, amor,
a esta Deusa,
a esta Terra.

Tu que sempre foste tu,
e que sempre serás tu,
pela força da força que tens,
e pela força que és,
amor à luta, amor de lutador,
fogo que não cessa, fogo que não cede,
da terra agreste, áspera e madrasta.

Progenitora,
Seio,
Mão,
Coração,
Serão sempre poucas as palavras que me levem para junto de ti.

A vida não foi suficiente, mas foi suficiente para sermos diferentes.

A ti, Héstia…

(rascunho)

Jeff Buckley

Hallelujah

1994

Mais um dia passa, um dia que passou,
a mais,
a menos,
metamorfose constante das pessoas,
e eu,
só eu,
aqui, no meio do nada,
o nada que é tudo.

Lento, vagaroso, vil e violento,
passa,
através de mim,
o tempo.

Sem corpo e alma,
pessimismo,
negativismo,
tristeza,
dolência,
de pé na mesa, desfaleço.

Oxido ao longo do tempo,
apodreço,
lento.

Metáfora, figura, imagem,
de amor,
sinopse,
de vida,
como uma química e física,
deformo, formo, transformo.

Pensamento fechado.

Tenho saudades tuas. Passam os dias claros e as noites escuras e tenho-te para sempre, no meu coração. Tantas trivialidades passadas, aqui, no nosso quarto. Onde as fantasias se consagraram. Onde os sonhos realizaram os nossos desejos. Ainda sinto no ar, em mim, colado, o teu, real sabor único. As horas passam, as palavras também e entre nós fica a cumplicidade. Que nos une. Que nos separa. Um beijo teu, um sorriso teu, um mimo teu, um afago, uma carícia, … Apontado para mim. E mato-me de amor, por ti.
Destróis-me.
Regressa, para junto de mim.
Dás-me um abraço. Aquele abraço.
O abraço que tanta falta sentia quando estava preso a um mundo longe de ti. Hoje, esse mundo não… Nada nos pode separar. Nem eu, nem tu, nem nada, porque desde o início, fomos um só.
Como, não sei, mas, ainda me beijas como da primeira vez. A tua língua toca a minha, efusivas, fervorosas, afectuosas, procuram transmitir em saliva o que será amar alguém. E ambos sentimos, nos nossos olhos que brilham mais que mil sóis, uma fusão, mais que física, mais que química, algo demasiado irreal. Aguarelas de cores, que ninguém ousa pintar em tela alguma, este é o nosso amor. Irreal. Monumentos em pedra, ferro, vidro e betão. Somos, aquilo que dura, para sempre, amor. Irreal. Campos que após Verões e Invernos, sempre dão alguma coisa, por nós. Agora, nós, terra, ar, fogo e vento. Amor. Para sempre. E podíamos morrer e nascer, todos os dias, até ao fim dos nossos dias, neste ciclo. Nosso. Amor.
Não sei, se por de mais, por de menos, por demência, sentimento indesejável. Amor. Acordo, por fim. Abro os olhos, mergulhados, em água salgada do mar que já é morto há muito. Bate, ao de leve, num óbito lento, anónimo, solitário. Perfeito? Só a flor! O amor… O amor…
Merda.
Já cá não estás, já cá não és, serás alguma vez?
Continuo com as dúvidas de quem devia sonhar mais vezes a dormir do que a acordar. Tenho a certeza que aqui não estás. Não sinto nada. Nem o teu perfume, nem o teu cheiro, nem os teus lábios nos meus, nem os teus olhos nos meus, nem o teu corpo no meu. Merda.
Mas existes.
E eu amo-te. Muito.
Suburbanidade mental?
Eu sei esperar. Por ti. Pelo amor. Pelos sonhos.
Que vão e vêm.
Inevitável.

par93072

Copyright:
Patrick Zachmann / Magnum Photos